Entrevista Caju: “A música foi o local que encontrei para me expressar”

Caju conta a Primeira Mão um pouco sobre sua história de amor com a música

Claudia Zanetti nasceu em Vitória, no dia 25 de outubro de 2002. Filha de Rozimeires Zanetti e Cláudio da Silva, Claudia se apaixonou pela música desde muito nova. Esse amor permaneceu, e hoje ela cursa Música na Ufes. Claudia adotou o nome artístico de Caju, apelido dado a ela por seus amigos. Com 22 anos, ela  já ganhou relevância no cenário musical capixaba. Recentemente, foi campeã nas categorias Melhor Música e Artista Revelação do 3º Prêmio da Música Capixaba. 

Quando você decidiu cursar Música? Sempre foi sua opção? Em que período do curso você está?

“Eu decidi fazer música quando estava no 9º ano do fundamental e já cogitava formas de estudá-la. Como eu não tinha idade pra fazer um curso de canto do CFM (Curso de Formação Musical) da Fames, eu continuei fazendo aulas de música, coisa que eu já fazia desde bem nova. Antigamente, bem antes de ver a música como opção, eu pensava em fazer arqueologia, porque eu sempre gostei muito de história. Pesquisei onde poderia estudar, mas acabou que a música falou mais forte e agora estou no meu 9º período de Música na Ufes. 

Qual a importância da música na sua vida?

A música pra mim é tudo. Ela foi o local que encontrei para me expressar. Gosto muito de escrever histórias e poesia. Antes de começar a escrever, eu já as criava e os meus pais escreviam. Às vezes, só escrevo o que estou sentindo, de forma literal ou subjetiva. Mas eu sinto que quando canto as palavras ou só reproduzo sons, existe algo subjetivo muito forte. É uma subjetividade que não consigo expressar na literalidade das palavras. A música é além da canção, acho que ela de alguma forma materializa os sentimentos que eu não consigo expressar e aqueles que não deveriam ser expressos de nenhuma forma diferente.

Qual o tipo de música que você mais costuma ouvir? É do mesmo gênero da que você canta?

Eu escuto um pouco de tudo.Tento não me prender a nenhum gênero. Por isso, não sei definir o meu estilo musical. Por muito tempo tentei me encaixar numa caixinha, porém não funcionou. Porque gosto de muitos estilos musicais e escuto variados artistas e então acaba que essas referências respingam na minha arte. O que faz sentido pra mim é não me prender a um estilo e um estereótipo, tento estar aberta ao novo e a mistura dos gêneros. Dessa forma, vou compondo quem eu sou. Já sei que as pessoas vão me colocar em alguma caixinha e deixo que elas coloquem.  

Como é o seu processo de composição? De onde vêm as inspirações?

As minhas inspirações vêm de tudo da vida. Gosto de observar o meu entorno, de ouvir as pessoas, de ler, escutar músicas, filmes, e estar em contato com outras artes. Então, as minhas referências vêm muito das coisas que atravessam a vida. A mistura dos fatos com invenções em uma coisa só vem desse lugar. E sempre que componho penso em um determinado ambiente,  logo, elas  são muito visuais. Eu me insiro em um espaço imaginário de contexto que muitas vezes foi inventado. 

Como foi feita a música Sinestesia, sua composição de letra e acordes?

Sinestesia foi uma música que compus na casa da minha avó. Fiquei algumas semanas com ela e na época estava pensando muito sobre misturas de referências. De como que a gente vai coletando coisas de vários lugares diversos, né? E ao mesmo tempo pensando no meu próprio processo de composição que é com situações, momentos e principalmente com cores. Então, eu pensei em uma  situação e fui criando a história, lembrando de coisas que me aconteceram, ou que eu gostaria que tivessem acontecido e aí foi surgindo (a música) aos poucos. 

Esse não é um som que fala necessariamente sobre amor, ele é sobre afeto. Busquei trazer dessa forma,  porque eu me forçava a escrever canções de amor. E, naquele momento, eu não sentia que fazia sentido pra mim. Eu queria falar sobre coisas que eu sentia, mas que muitas vezes não é permitido falar. Eu queria tirar essa coisa do “bonitinho”, do “belo” e tudo mais. De alguma forma acaba atravessando um pouco a questão da feminilidade, então fui pensando nessa personagem que está confusa com os sentimentos e tem essa dualidade. 

 Gosto muito do cíclico, da repetição e quando fui compor, fiquei pensando em uma basezinha. Então, eu comecei com o acorde e depois fui mudando o violão e deixando a repetição das outras notas, queria um looping mesmo. Não fiquei preocupada em pensar na harmonia que eu estava fazendo, minha preocupação realmente estava na sonoridade. 

Você tem sido um expoente da música aqui no estado. A que você deve essa sua relevância?  

 Acho que porque eu falo o que eu sinto e eu sou uma pessoa contemporânea. Sou uma pessoa que está neste momento histórico geracional que reflete as questões dessa geração. Talvez pelo que eu cante, pelo que eu fale, pela forma como eu me expresso,algumas pessoas se sentem contempladas com esses sentimentos, com essas músicas, com essas letras e eu acho que seja isso.

Como foi para você ser indicada a 2 categorias do 3º Prêmio de Música Capixaba e vencê-las?

Foi chocante! Sinceramente, não sei como falar. Não sei se chocada seria a melhor palavra. Ao mesmo tempo, fico muito feliz. Foi uma grande surpresa ter sido indicada nessas categorias e ter ganhado, porque “Sinestesia” foi a primeira música que eu lancei. Não foi a primeira música que eu fiz, mas foi a primeira música que eu lancei. Não vou dizer que foi lançada despretensiosamente. Ela foi lançada com muita expectativa, porém não esperava que logo de cara, eu seria indicada e ganharia dois prêmios. A música chega às pessoas e as atravessa e as faz sentir. Eu acho que esse é o motivo principal de fazer música, além de amar. Saber o que as pessoas estão sentindo me motiva, me dá alegria e ganhar um prêmio por isso é o que motiva ainda mais. Saber que vocês gostaram tanto da minha música, que a premiaram, achei isso sensacional e muito fantástico.

O que podemos esperar para as próximas músicas?

Nas próximas músicas dá pra esperar bastante experimentação, uma junção das referências e uma amostra do que eu pretendo seguir a partir daqui. Com o tempo eu vou mudando, vou tendo novas referências e, consequentemente, a sonoridade vai mudando. Mas, para as próximas músicas, eu pretendo explorar muito tudo o que eu puder explorar e mostrar o que eu gosto, sinto e, assim, me expressar da forma mais intensa. Eu me considero uma pessoa intensa, e não tem como fugir disso tudo. 


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